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Trump diz a congressistas democratas para 'voltar e consertar' países de onde vieram


por Folhapress
Trump diz a congressistas democratas para 'voltar e consertar' países de onde vieram
Foto: Divulgação
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse neste domingo (14) a um grupo de congressistas democratas que nasceram na América para "voltar e ajudar a consertar os lugares totalmente quebrados e infestados de crime de onde vieram", um comentário condenado pelos democratas como racista.

A declaração foi dada no mesmo dia para o qual foi anunciado o início de uma operação para prender cerca de 2.000 imigrantes em situação irregular nos Estados Unidos. Até o início da tarde, não foram reveladas informações sobre o andamento desta ação. 

"É tão interessante ver parlamentares democratas 'progressistas', que vieram originalmente de países cujos governos são uma catástrofe total e completa dizendo cruelmente ao povo dos Estados Unidos como o nosso governo deve ser administrado", disse Trump, em uma série de três comentários no Twitter.

Embora não tenha mencionado nomes, Trump parecia estar se referindo a Alexandria Ocasio-Cortez de Nova York, Ilhan Omar de Minnesota, Ayanna Pressley de Massachusetts e Rashida Tlaib de Michigan --um grupo conhecido como "o esquadrão", que tem sido muito crítico de Trump e também da atual liderança democrata da Câmara.

Apenas Omar, cuja família deixou a Somália como refugiada e chegou a Minneapolis em 1997, nasceu fora dos Estados Unidos.

"Sr. Presidente, o país 'de onde eu venho' e o país que todos nós juramos, são os Estados Unidos", respondeu Ocasio-Cortez, como Trump, natural de Nova York, no Twitter. "Você está com raiva porque não pode conceber uma América que nos inclua. Você confia numa amedrontada América para sua pilhagem".

A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, democrata da Califórnia, entrou em conflito com o grupo em uma luta intrapartidária cada vez mais amarga, mas veio em sua defesa no domingo junto com outros colegas democratas. Ela chamou os comentários de Trump de "xenofóbos".

"Quando Donald Trump diz a quatro congressistas norte-americanos que voltem a seus países, ele reafirma seu plano de 'Make America Great Again' sempre foi sobre tornar a América branca novamente", disse ela no Twitter.

"Eu me encaixo na categoria do presidente?", perguntou o senador norte-americano Dick Durbin, de Illinois, na TV CBS, mencionando a herança lituana de sua família.

Operação contra imigrantes Milhares de migrantes em situação irregular aguardam neste domingo, com medo e incerteza, uma operação anunciada por Trump que levará a uma onda de deportações.

O Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) deve atuar em pelo menos 10 grandes cidades americanas para prender cerca de 2.000 migrantes que entraram recentemente no país.

Segundo a imprensa dos EUA, os agentes do ICE estão preparados para prender não apenas aqueles com ordens de expulsão, mas também outros migrantes sem documentação que possam encontrar. Isso poderia incluir migrantes que estão no país há anos, com empregos e filhos que são cidadãos americanos.

Em dezenas de cidades, manifestações foram organizadas contra as detenções e expulsões planejadas, enquanto autoridades locais e estaduais pediram moderação.

Guatemala cancela reunião A reunião entre Trump e o presidente da Guatemala, Jimmy Morales,  prevista para esta segunda-feira em Washington para abordar a questão da imigração, foi cancelada, segundo o governo guatemalteco. Havia a expectativa de que um acordo entre os dois países fosse firmado neste encontro. 

"Devido às especulações e as ações legais interpostas, admitidas para trâmite pela Corte de Constitucionalidade, foi decidido reprogramar o encontro bilateral até ser conhecida a decisão da corte", aponta o comunicado oficial, que faz referência a questionamentos internos sobre a possibilidade de Morales assinar um pacto que declararia a Guatemala um terceiro país seguro.

Sob esse conceito, a nação centro-americana deveria processar os pedidos de asilo de todos os imigrantes que atravessam seu território em direção aos Estados Unidos.

O suposto acordo desatou críticas e um forte oposição à decisão do presidente Morales. Por oposição a essa medida, foram apresentadas três ações na Corte de Constitucionalidade, principal entidade judicial do país, que analisa sua legalidade neste domingo.

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