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sábado, 10 de outubro de 2015

Pastor da Assembléia de Deus é preso por formação de quadrilha

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 Pastor, radialista, contador e empresário, Gilmar Antunes Olarte (PP), 45 anos, é o primeiro prefeito de Campo Grande, ainda que na condição de afastado, a parar atrás das grades na história da capital. A cidade, que desde a década de 1950, quando o então prefeito Ari Coelho foi assassinado, vivia calmaria no Poder Executivo, se depara com turbulência política, que no ano passado resultou na cassação de Alcides Bernal (PP), e, agora, levou ao afastamento e prisão de seu substituto.


Para o cientista político Erom Brum, os campo-grandenses vivenciam o tempo em que um adormecido integrante do sistema político despertou: a população.
“Os políticos podiam tudo. É como se uma montanha, antes incólume, começasse a ruir. Dentro dessa nova fase dos nossos Poderes, vamos sofrer, mas pelo menos nós acordamos. O sistema político tem dois elementos: representantes e representados. Mas sempre estivemos ausentes”, analisa.
Os clamores contra a corrupção reverberam na Justiça. Na decisão que deferiu o afastamento de Olarte em agosto e autorizou a primeira etapa da operação Coffee Break, o desembargador Luiz Cláudio Bonassini da Silva destacou que o dicionário do cidadão, mas em especial os agentes políticos, deveria começar com o de ética, palavra mágica de onde decorre “ a observância de todos aqueles princípios consagrados pela Constituição, como o da moralidade e da impessoalidade”.
Olarte e o empresário João Alberto Krampe Amorim dos Santos, dono da Proteco Construções, tiveram as prisões decretadas no dia último dia 30 de setembro por Bonassini.
As prisões são desdobramentos da ação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) para investigar compra de votos na Câmara Municipal.

A prisão temporária tem validade de cinco dias. Ele se entregou às 5h15 desta sexta-feira na 3ª delegacia de Campo Grande, no bairro Carandá Bosque. A unidade tem cela especial, separada dos demais presos, e “hospedou” em 2010 o então prefeito de Dourados, Ari Artuzi.Olarte é investigado por formação de quadrilha e corrupção, pois teria se juntado a vereadores, empresários e terceiros interessados para cassação do prefeito Alcides Bernal (PP) em março de 2014. O acordo incluiria pagamento em dinheiro e distribuição de benesses.
Histórico – Natural de Aquidauana, Gilmar Olarte tem uma empresa de contabilidade e fundou a igreja Assembléia de Deus Nova Aliança em Campo Grande.
Ele já foi vereador por dois mandatos, incluindo-se um período em que assumiu após ser suplente, e eleito vice-prefeito na chapa de Bernal em 2012. No entanto, logo após a posse, ele rompeu com o titular da pasta e, conforme denúncia do Gaeco, passou a articular a cassação de Bernal.
Logo após a posse como prefeito, em 13 de março do ano passado, Olarte foi alvo de uma operação que cumpriu mandado de busca e apreensão em sua casa no dia 11 de abril de 2014. Neste ano, a investigação chegou ao Tribunal de Justiça, que aceitou a denúncia por corrupção e lavagem de dinheiro.
Olarte também foi denunciado à Justiça por contratar funcionários fantasmas na prefeitura. Neste caso, a Justiça decretou o bloqueio dos bens do prefeito afastado para garantir o ressarcimento dos salários pagos indevidamente a três pessoas.
Ele foi afastado em 25 de agosto e é suspeito de comandar esquema, junto com Amorim, para cassar o mandato de Bernal.
Além disso, a igreja Assembléia de Deus Nova Aliança, de Cuiabá (MT), conseguiu liminar na Justiça para obrigar Olarte a trocar o nome da sua denominação religiosa. A instituição diz que ele ingressou na denominação religiosa em 2006, mas foi afastado por conduta não apropriada em 2009.
No entanto, a igreja do Mato Grosso só decidiu recorrer à Justiça após o Fantástico, da TV Globo, veicular em rede nacional a denúncia de que Olarte deu o “golpe do cheque em branco” nos fieis.
André Santos